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PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU, SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME, VEM A NÓS O VOSSO REINO, SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU. O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAÍ HOJE, PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO, NÃO NOS DEIXEI CAIR EM TENTAÇÃO MAS LIVRAI-NOS DO MAL. AMÉM.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A GRAÇA E AS VIRTUDES

 


A graça é a fonte da obra de santificação; cura e eleva a natureza fazendo-nos capazes de agir como filhos de Deus.

Resumo dos Ensinamentos Católicos

1. A graça

Deus tem chamado ao homem a participar da vida da Santíssima Trindade. «Esta vocação à vida eterna é sobrenatural» (Catecismo, 1998)[1]. Para nos conduzir a este fim último sobrenatural, concede-nos já nesta terra um início dessa participação que será plena no céu. Este dom é a graça santificante, que consiste em uma «incoação da glória»[2]. Por tanto, a graça santificante:

— «é o dom gratuito que Deus nos concede de sua vida, infundida pelo Espírito Santo em nossa alma, para curá-la do pecado e santificá-la» (Catecismo, 1999);


— «é uma participação na vida de Deus» (Catecismo, 1997; cfr. 2 Pe 1, 4), que nos diviniza (cfr. Catecismo, 1999);

— é, portanto, uma nova vida, sobrenatural; como um novo nascimento pelo que somos constituídos em filhos de Deus por adoção, partícipes da filiação natural do Filho: «filhos no Filho»[3];

— introduz-nos assim na intimidade da vida trinitária. Como filhos adotivos, podemos chamar Pai» a Deus, em união com o Filho único (cfr. Catecismo, 1997);

— é graça de Cristo», porque na situação presente —isto é, após o pecado e da Redenção feita por Jesus Cristo— a graça chega-nos como participação da graça de Cristo (Catecismo, 1997): «De sua plenitude todos temos recebido graça sobre graça» (Jo 1, 16). A graça nos configura com Cristo (cfr. Rm 8, 29);

— é «graça do Espírito Santo», porque é infundida na alma pelo Espírito Santo[4].

A graça santificante chama-se também graça habitual porque é uma disposição estável que aperfeiçoa a alma pela infusão de virtudes, para fazê-la capaz de viver com Deus, de agir por seu amor (cfr. Catecismo, 2000)[5].

2. A justificação

A primeira obra da graça em nós é a justificação (cfr. Catecismo, 1989). Chama-se justificação a passagem do estado de pecado ao estado graça (ou “de justiça", porque a graça faz-nos “justos")[6]. Esta tem lugar no Batismo e a cada vez que Deus perdoa os pecados mortais e infunde a graça santificante (ordinariamente no sacramento da penitência)[7]. A justificação «é a obra mais excelente do amor de Deus» (Catecismo, 1994; cfr. Ef 2, 4-5).

3. A santificação

Deus não nega a ninguém sua graça, porque quer que todos os homens se salvem (1 Tm 2, 4): todos são chamados à santidade (cfr. Mt 5, 48)[8]. A graça «é em nós a fonte da obra de santificação» (Catecismo, 1999); sana e eleva nossa natureza fazendo-nos capazes de agir como filhos de Deus[9], e de reproduzir a imagem de Cristo (cfr. Rm 8,29): isto é, de ser, cada um, alter Christus, outro Cristo. Esta semelhança com Cristo manifesta-se nas virtudes.

A santificação é o progresso em santidade; consiste na união cada vez mais íntima com Deus (cfr. Catecismo, 2014), até chegar a ser não só outro Cristo senão ipse Christus, o mesmo Cristo[10]: isto é, uma só coisa com Cristo, como membro seu (cfr. 1 Co 12, 27). Para crescer em santidade é necessário cooperar livremente com a graça, e isto requer esforço, luta, por causa da desordem introduzida pelo pecado (o fomes peccati). «Não há santidade sem renúncia e sem combate espiritual» (Catecismo, 2015)[11].

Em consequência, para vencer na luta ascética, antes de mais nada há que pedir a Deus a graça mediante a oração e a mortificação —«a oração dos sentidos»[12]– e a receber nos sacramentos[13].

A união com Cristo só será definitiva no Céu. Há que pedir a Deus a graça da perseverança final: isto é, o dom de morrer em graça de Deus (cfr. Catecismo, 2016 e 2849).

4. As virtudes teologais

A virtude, em general, «é uma disposição habitual e firme a fazer o bem» (Catecismo, 1803)[14]. «As virtudes teologais referem-se diretamente a Deus. Dispõem aos cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade» (Catecismo, 1812). «São infundidas por Deus na alma dos fiéis para fazê-los capazes de agir como filhos de Deus» (Catecismo, 1813)[15]. As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade (cfr. 1 Co 13, 13).

A fé «é a virtude teologal pela que cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe» (Catecismo, 1814). Pela fé «o homem entrega-se inteira e livremente a Deus»[16], e se esforça por conhecer e fazer a vontade de Deus: «O justo vive da fé» (Rm 1,17)[17].

— «O discípulo de Cristo não deve só guardar a fé e viver dela, senão também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la» (Catecismo, 1816; cfr. Mt 10,32-33).

A esperança «é a virtude teologal pela que aspiramos ao Reino dos céus e à vida eterna como felicidade nossa, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas nos auxílios da graça do Espírito Santo» (Catecismo, 1817)[18].

A caridade «é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo e a nosso próximo como a nós mesmos por amor de Deus» (Catecismo, 1822). Este é o mandamento novo de Jesus Cristo: «que vos ameis uns a outros como eu vos amei» (Jo 15,12)[19].

5. As virtudes humanas

«As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais do entendimento e da vontade que regulam nossos atos, ordenam nossas paixões e guiam nossa conduta segundo a razão e a fé. Proporcionam facilidade, domínio e satisfação para levar uma vida moralmente boa» (Catecismo, 1804). Estas «se adquirem mediante as forças humanas; são os frutos e os gérmenes dos atos moralmente bons» (Catecismo, 1804)[20].

Entre as virtudes humanas há quatro chamadas cardeais porque todas as demais se agrupam em torno delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança (cfr. Catecismo, 1805).

— A prudência «é a virtude que dispõe a razão prática a discernir em toda circunstância nosso verdadeiro bem e a eleger os meios retos para o realizar» (Catecismo, 1806). É a «regra reta da ação»[21].

— A justiça «é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido» (Catecismo 1807)[22].

— A fortaleza «é a virtude moral que assegura nas dificuldades a firmeza e a constância na busca do bem. Reafirma a resolução de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza faz capaz de vencer o temor, inclusive à morte, e de fazer frente às provas e às perseguições. Capacita para ir até a renúncia e o sacrifício da própria vida por defender uma causa justa» (Catecismo, 1808)[23].

— A temperança «é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e busca o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos» (Catecismo, 1809). A pessoa temperada orienta para o bem seus apetites sensíveis, e não se deixa arrastar pelas paixões (cfr. Sir 18, 30). No Novo Testamento é chamada "moderação" ou "sobriedade" (cfr. Catecismo, 1809).

Com respeito às virtudes morais, afirma-se que in medio virtus. Isto significa que a virtude moral consiste em um meio entre um defeito e um excesso[24]. In medio virtus não é uma chamada à mediocridade. A virtude não é o meio-termo entre dois ou mais vícios, mas a retidão da vontade que —como um cume— se opõe a todos os abismos que são os vícios[25].

6. As virtudes e a graça. As virtudes cristãs

a) As feridas deixadas pelo pecado original na natureza humana dificultam a aquisição e o exercício das virtudes humanas (cfr. Catecismo, 1811)[26]. Para adquiri-las e praticá-las, o cristão conta com a graça de Deus que sana a natureza humana.

A graça, ademais, ao elevar a natureza humana a participar da natureza divina, eleva essas virtudes ao plano sobrenatural (cfr. Catecismo, 1810), levando a pessoa humana a atuar segundo a reta razão iluminada pela fé: em uma palavra, a imitar a Cristo. Deste modo, as virtudes humanas chegam a ser virtudes cristãs[27].

7. Os dons e frutos do Espírito Santo

«A vida moral dos cristãos está sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que fazem o homem dócil para seguir os impulsos do Espírito Santo» (Catecismo, 1830)[28]. Os dons do Espírito Santo são (cfr. Catecismo, 1831):

1º dom de sabedoria: para compreender e julgar com acerto a respeito dos desígnios divinos;

2º dom de entendimento: para a compreensão da verdade sobre Deus;

3º dom de conselho: para julgar e seguir as ações singulares os desígnios divinos;

4º dom de fortaleza: para acometer as dificuldades na vida cristã;

5º dom de ciência: para conhecer a ordenação das coisas criadas a Deus;

6º dom de piedade: para comportar-nos como filhos de Deus e como irmãos de nossos irmãos os homens, sendo outros Cristos;

7º dom de temor de Deus: para recusar todo o que possa ofender a Deus, como um filho recusa, por amor, o que pode ofender a seu pai.

Os frutos do Espírito Santo «são perfeições que formam em nós o Espírito Santo como primícias da glória eterna» (Catecismo, 1832). São atos que a ação do Espírito Santo produz habitualmente na alma. A tradição da Igreja enumera doze: «caridade, gozo, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade» (Ga 5, 22-23).

8. Influência das paixões na vida moral

Pela união substancial da alma e do corpo, nossa vida espiritual —o conhecimento intelectual e o livre querer da vontade— encontra-se sob o influxo (para bem ou para mau) da sensibilidade. Este influxo manifesta-se nas paixões que são impulsos da sensibilidade que inclinam a fazer ou a não fazer em razão do que é sentido ou imaginado como bom ou como mau» (Catecismo, 1763). As paixões são movimentos do apetite sensível (irascível e concupiscível). Podem-se chamar também, em sentido amplo, “sentimentos" ou “emoções"[29].

São paixões, por exemplo, o amor, a ira, o temor, etc. «A mais fundamental é o amor acordado pela atração do bem. O amor causa o desejo do bem ausente e a esperança de obtê-lo. Este movimento culmina no prazer e o gozo do bem possuído. A apreensão do mal causa o ódio, a aversão e o temor ante o mal que pode sobrevir. Este movimento culmina na tristeza por causa do mal presente ou na ira que se opõe a ele» (Catecismo, 1765).

As paixões influem muito na vida moral. «Em si mesmas, não são boas nem más» (Catecismo, 1767). «São moralmente boas quando contribuem a uma ação boa, e más no caso contrário» (Catecismo, 1768)[30]. Pertence à perfeição humana que as paixões estejam reguladas pela razão e dominadas pela vontade[31]. Após o pecado original, as paixões não se encontram submetidas ao império da razão, e com frequência inclinam a realizar o que não é bom[32]. Para orientá-las habitualmente ao bem se precisa da ajuda da graça, que cura as feridas do pecado, e a luta ascética.

A vontade, se é boa, utiliza as paixões ordenando ao bem[33]. Em contrapartida, a má vontade, que segue ao egoísmo, sucumbe às paixões desordenadas ou as usa para o mal (cfr. Catecismo, 1768).

Francisco Díaz

Bibliografia básica Catecismo da Igreja Católica, 1762-1770, 1803-1832 e 1987-2005.

Leituras recomendadas

São Josemaria, Homilia Virtudes humanas, em Amigos de Deus, 73-92.

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[1] Esta vocação «depende inteiramente da iniciativa gratuita de Deus, porque só Ele pode se revelar e se dar a si mesmo. Ultrapassa as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana, como as de toda criatura (cfr. 1 Co 2, 7-9)» (Catecismo, 1998).

[2] Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 24, a. 3, ad 2.

[3] Concilio Vaticano II, Const. Gaudium et spes, 22. Cfr. Rm 8, 14-17; Ga 4, 5-6; 1 Jo 3, 1.

[4] Todo dom criado procede do Dom incriado, que é o Espírito Santo. «O amor de Deus derramou-se em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5. Cfr. Ga 4, 6).

[5] Deve-se distinguir entre a graça habitual e as graças atuais, «que designam as intervenções divinas que estão na origem da conversão ou no curso da obra da santificação» (cfr. idem).

[6] «A justificação entranha o perdão dos pecados, a santificação e a renovação do homem interior» (Concilio de Trento: DS 1528).

[7] Nos adultos, este passo é fruto da moção de Deus (graça atual) e da liberdade do homem. «Movido pela graça atual, o homem volta-se a Deus e aparta-se do pecado, acolhendo assim o perdão e a justiça do alto [a graça santificante]» (Catecismo, 1989).

[8] Esta verdade quis recordá-la o Senhor, com especial força e novidade, por meio dos ensinamentos de São Josemaria, a partir de 2 de outubro de 1928. A Igreja proclamou-a no Concilio Vaticano II (1962-65): «Todos os fiéis, de qualquer estado ou regime de vida, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (Concilio Vaticano II, Const. Lumen gentium, 40).

[9] Cfr. Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, III, q. 2, a. 12, c.

[10] Cfr. São Josemaria, É Cristo que passa, 104.

[11] Mas a graça «não se opõe de jeito nenhum a nossa liberdade quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem» (Catecismo, 1742). Pelo contrário, «a graça responde às aspirações profundas da liberdade humana, e a aperfeiçoa» (Catecismo, 2022).

No estado atual da natureza humana, ferida pelo pecado, a graça é necessária para viver sempre de acordo com a lei moral natural.

[12] São Josemaria, É Cristo que passa, 9.

[13] Para atingir a graça de Deus contamos com a intercessão de nossa Mãe Maria Santíssima, Mediadora de todas as graças, e também com a de São José, dos Anjos e dos Santos.

[14] Os vícios são, pelo contrário, hábitos morais que seguem às obras más, e inclinam a repeti-las e a piorar.

[15] De modo análogo a como a alma humana age através de suas potências (entendimento e vontade), o cristão em graça de Deus age através das virtudes teologais, que são como as potências da "nova natureza" elevada pela graça.

[16] Concilio Vaticano II, Const. Dei Verbum, 5.

[17] A fé manifesta-se em obras: a fé viva «atua pela caridade» (Ga 5, 6), enquanto «a fé sem obras está morta» (Ti 2, 26), ainda que o dom da fé permanece no que não tem pecado diretamente contra ela (Cfr. Concilio de Trento: DS 1545).

[18] Cfr. Hb 10, 23; Tt 3, 6-7. «A virtude da esperança corresponde ao anseio de felicidade posto por Deus no coração de todo homem» (Catecismo, 1818): apura-o e eleva-o; protege do desalento; dilata o coração na espera da bem-aventurança eterna; preserva do egoísmo e conduz à alegria (cfr. idem).

Devemos esperar a glória do céu prometida por Deus aos que lhe amam (cfr. Rm 8, 28-30) e fazem sua vontade (cfr. Mt 7, 21), seguros de que com a graça de Deus podemos «perseverar até o fim» (cfr. Mt 10, 22) (cfr. Catecismo, 1821).

[19] — A caridade é superior a todas as virtudes (cfr. 1 Co 13, 13). «Se não tenho caridade, nada sou... nada me serve» (1 Co 13, 1-3).

— «O exercício de todas as virtudes está animado e inspirado pela caridade» (Catecismo, 1827). É a forma de todas as virtudes: informa-as" ou “vivifica", porque orienta-as ao amor de Deus; sem a caridade, as demais virtudes estão mortas.

— A caridade apura nossa faculdade humana de amar e eleva-a à perfeição sobrenatural do amor divino (cfr. Catecismo, 1827). Há uma ordem na caridade. A caridade manifesta-se também na correção fraterna (cfr. Catecismo, 1829).

[20] Como se explicará na parte seguinte, o cristão desenvolve estas virtudes com a ajuda da graça de Deus que, ao curar a natureza, dá força para as praticar, e as ordena a um fim mais alto.

[21] Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 47, a. 2, c. Leva a julgar retamente sobre o modo de agir: não retrai da ação. «Não se confunde nem com a timidez ou o temor, nem com a duplicidade ou a dissimulação. É chamada “auriga virtutum": conduz as outras virtudes indicando-lhes regra e medida. Graças a esta virtude aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem que devemos fazer e o mal que devemos evitar» (Catecismo, 1806).

[22] O homem não pode dar a Deus o que lhe deve ou o justo em sentido estrito. Por isso, a justiça para com Deus se chama mais propriamente “virtude da religião", «já que a Deus lhe basta apenas que cumpramos sob medida de nossas possibilidades» (Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 57, a. 1, ad 3).

[23] «No mundo tereis tribulação. Mas confiem: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33).

[24] Por exemplo, a laboriosidade consiste em trabalhar tudo o que se deve, que é um meio entre um menos e um mais. Opõe-se à laboriosidade trabalhar menos do que o devido, perder o tempo, etc. E também se opõe trabalhar sem medida, sem respeitar todo o demais que também se deve fazer (deveres de piedade, de caridade, etc.).

[25] O princípio in medio virtus é válido só para as virtudes morais, as quais têm por objeto os meios para atingir o fim, e nos meios há sempre uma medida. Em contrapartida não é válido no caso das virtudes teologais, que estudamos na parte anterior. Estas virtudes (fé, esperança e caridade) têm diretamente a Deus por objeto. Por isso, não cabe um excesso: não é possível “crer demasiado" ou “esperar demasiado em Deus" ou “lhe amar em excesso".

[26] A natureza humana está ferida pelo pecado. Por isto tem inclinações que não são naturais, senão consequência do pecado. Do mesmo modo que não é natural coxear, senão consequência de uma doença, e não seria natural ainda que todo mundo coxeasse, também não são naturais as feridas que tem deixado o pecado original e os pecados pessoais na alma: tendência à soberba, à preguiça, à sensualidade, etc. Com a ajuda da graça e com o esforço pessoal estas feridas podem-se ir sanando, de modo que o homem seja e comporte-se como corresponde a sua natureza e a sua condição de filho de Deus. Esta saúde consegue-se por meio das virtudes. De modo semelhante, a doença agrava-se pelos vícios.

[27] Neste sentido, há uma prudência que é virtude humana, e uma prudência sobrenatural, que é virtude infundida por Deus na alma, junto com a graça. Para que a virtude sobrenatural possa produzir fruto —atos bons— precisa a correspondente virtude humana (isto mesmo sucede com as demais virtudes cardeais: a virtude sobrenatural da justiça, requer a virtude humana da justiça; e o mesmo a fortaleza e a temperança). Dito de outra maneira, a perfeição cristã —a santidade— exige e comporta a perfeição humana.

[28] Pode-se acrescentar, para ajudar a compreender a função dos Dons do Espírito Santo na vida moral, a seguinte explicação clássica: assim como a natureza humana tem umas potências (inteligência e vontade) que permitem realizar as operações de entender e querer, assim a natureza elevada pela graça tem umas potências que lhe permitem realizar atos sobrenaturais. Estas potências são as virtudes teologais (fé, esperança e caridade). São como os remos de uma barca, que permitem avançar em direção ao fim sobrenatural. No entanto, este fim supera-nos de tal modo, que não bastam as virtudes teologais para chegar ao atingir. Deus concede, junto com a graça, os dons do Espírito Santo, que são novas perfeições da alma que permitem que seja movida pelo mesmo Espírito Santo. São como a vela de uma barca, que lhe permite avançar com o sopro do vento. Os dons nos aperfeiçoam em ordem a fazer-nos mais dóceis à ação do Espírito Santo, que se converte assim em motor de nosso fazer.

[29] Deve-se ter em conta que também se fala de “sentimentos" ou “emoções" suprassensíveis ou espirituais, que não são propriamente “paixões" porque não implicam movimentos do apetite sensível.

[30] Por exemplo, há uma ira boa, que se indigna ante o mau, e também há uma ira má, descontrolada ou que impulsiona ao mau (como sucede na vingança); há temor bom e há um temor mau, que paralisa para fazer o bem; etc.

[31] Cfr. Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I-II, q. 24, aa. 1 e 3.

[32] Em ocasiões podem dominar de tal modo à pessoa, que a responsabilidade moral se reduz ao mínimo.

[33] «A perfeição moral consiste em que o homem não seja movido ao bem só por sua vontade, senão também por seu apetite sensível segundo estas palavras do salmo: “Meu coração e minha carne gritam de alegria para o Deus vivo" (Ps 84,3)» (Catecismo, 1770). «As paixões são más se o amor é mau, boas se é bom» (São Agustín, De civitate Dei, 14,7). 
Fonte: OPUS DEI

DESEJO À VOCÊ


Que… “Chuvas de Bênçãos sejam derramadas abundantemente sobre ti e tua Casa“… Que… a Unção de DEUS seja como um bálsamo a envolver tua vida e te Ungir Completamente pela Glória de DEUS“… Que… “DEUS faça prosperar tudo aquilo que vier até tuas mãos, e que de uma semente cresçam milhares de árvores Frutíferas“… Que… “Todas as Promessas de DEUS sejam uma Coroa de Vitória e Vida para você como Prova da Fidelidade do teu DEUS, acerca de tudo o que Ele Fala e Cumpre“… Que… “Rios de águas Vivas corram dentro de tí, purificando, e levando tudo aquilo o que não é de DEUS“. Que…“A Glória de DEUS repouse sobre sua vida…Amém