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sábado, 20 de maio de 2017

TOMÁS DE AQUINO E A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: APROXIMAÇÕES - 02

Tomás de Aquino
Sempre é possível encontrar pontos comuns entre pensadores de correntes e épocas diferentes. É por esse motivo que o intuito da atual discussão não é realizar um estudo exaustivo sobre os pontos comuns que existem entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. A discussão será limitada a dois estudos realizados, respectivamente, por Hélder Câmera e Clodovis Boff.
Em dezembro de 1975 Hélder Câmera, que naquele momento histórico era arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, Brasil, proferiu, na Universidade de Chicago, EUA, uma conferência, cujo título é: O que faria Santo Tomás de Aquino diante de Karl Marx ([11]). Essa conferência fez parte das comemorações realizadas pela citada universidade por ocasião do 7o Centenário da Morte de Tomás de Aquino.
Inicialmente é preciso observar que a conferência de Hélder Câmera merece uma análise bem mais detalhada. Análise que as pretensões desse simples artigo não comportam.
Realizada essa observação, afirmar-se que em grande parte da conferência Hélder Câmera limitou-se a demonstrar a profundidade e a atualidade do pensamento do Aquinate. Além disso, ele procurou demonstrar como no final da década de 1960 e principalmente na década de 1970 a Igreja na América Latina procurou novos e até mesmo inusitados caminhos teológicos e filosóficos. Dentro desses novos caminhos ganhou destaque a Teologia da Libertação e a sua respectiva interpretação marxista do evangelho e da realidade.
Na citada conferência Hélder Câmera não disfarçou a simpatia que ele e a TL nutriam – e ainda nutrem – pelo marxismo e, por conseguinte, por Karl Marx. Hélder Câmera apresenta Marx como sendo o grande e inovador filósofo da contemporaneidade. Ele seria o teórico que iluminaria a mente dos intelectuais e da massa operária para, juntos, promoverem a libertação humana da opressão social. Hélder Câmera praticamente apresenta Karl Marx como sendo o sucessor de Jesus Cristo.
Do ponto de vista didático a conferência de Hélder Câmera apresenta quatro pontos de aproximações entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação.
O primeiro ponto é a centralidade do filósofo em um momento histórico específico, ou seja, o século XIII. Neste século Tomás de Aquino foi o grande filósofo do Ocidente. Sua reflexão foi revolucionária para a época. Ela trouxe grandes e novas contribuições à Igreja e à sociedade. Já Karl Marx, no século XIX, realizou um trabalho semelhante ao de Tomás de Aquino no século XIII, no sentido de apresentar contribuições úteis à Igreja e à sociedade.
O segundo ponto é a questão da conversão do filósofo. Um tema que sempre aparece na história da Igreja é a conversão de filósofos ou então da obra de um filósofo ao cristianismo. Por exemplo, alguns pensadores e místicos ligados a Patrística desejavam converter Platão. Essa conversão aconteceria muitos séculos após a morte desse pensador. O caso mais conhecido desse tipo de conversão é o de Aristóteles. Em muitos manuais de filosofia e de teologia Tomás de Aquino aparece como sendo o filósofo cristão que converteu a obra do Estagirita para a fé da Igreja.
Hélder Câmera faz uso do princípio da conversão do filósofo. Segundo ele, assim como Tomás de Aquino converteu Aristóteles é dever da Teologia da Libertação converter Karl Marx ao cristianismo. Dessa forma, haveria uma ligação íntima entre o Aquinate e a TL. Essa ligação é o princípio da conversão do filósofo. Tomás converteu Aristóteles e a TL converteria Marx.
É preciso se fazer uma pequena reflexão sobre o argumento utilizado por Hélder Câmera, ou seja, é preciso ter em mente que Aristóteles, ao contrário de Marx, era um filósofo aberto ao transcendente e que nunca demonstrou qualquer preconceito contra Deus e a religião. Já Marx via a religião apenas como forma de alienação e jamais como uma possibilidade de emancipação humana. Nesse sentido, o argumento de Hélder Câmera é muito difícil de ser tomado como verdade.
O terceiro ponto é a questão da verdade. Para Hélder Câmera tanto Tomás de Aquino como Karl Marx foram pensadores que buscaram a verdade. Dessa forma, a busca pela verdade seria um ponto comum entre o Aquinate e a TL. Entretanto, é bom salientar que Hélder Câmera não explica o que é a verdade em Tomás de Aquino e em Marx. Esse é um ponto obscuro na citada conferência.
O quarto e último ponto é a dimensão da vida prática. Segundo Hélder Câmera tanto Tomás de Aquino como também Karl Marx foram pensadores que, ao longo de suas obras, indicaram, cada um a seu modo, a importância da vida prática para a efetivação de um ideal de vida social. Sem a vida prática toda a reflexão filosófica fatalmente cairá na alienação. Para evitar esse grave problema tanto Tomás de Aquino como Marx indicaram a vida prática como sendo o fundamento e o teste de veracidade de qualquer teoria filosófica.
Após ter apresentado a análise realizada por Hélder Câmara passa-se a apresentar a análise desenvolvida por Clodovis Boff. Apesar de o próprio pesquisador apresentar-se como sendo um “não especialista nesse doutor [Tomás de Aquino]” ([12]) ele apresenta uma série de cinco pontos convergentes entre Tomás de Aquino e a TL, pois, “não se deve entender que entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação a ruptura seja tão grande que não haja mais nenhuma ponte de encontro. Se há entre os dois uma descontinuidade inegável, há, contudo, também uma continuidade” ([13]).
Inicialmente é preciso realizar a mesma observação que foi construída diante da conferência O que faria Santo Tomás de Aquino diante de Karl Marx proferida por Hélder Câmara, ou seja, que o artigo de Clodovis Boff, cujo título é Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação, merece uma análise bem mais detalhada. Análise que as pretensões desse simples artigo não comportam.
Realizada essa importante observação passa-se a apresentação dos cinco pontos convergentes entre o Aquinate e a TL apresentados por Clodovis Boff.
O primeiro ponto é o fato de tanto Tomás de Aquino como também a Teologia da Libertação estarem abertos aos “novos ventos da história” ([14]), ou seja, cada um debateu os problemas específicos de sua época histórica. Tomás discutiu questões próprias do século XIII, como, por exemplo, a relação entre o papado e o poder secular, os direitos civis da Igreja e a autoridade dos governantes. Já a TL, no século XX, debateu questões fundamentais, como, por exemplo, a exploração e os conflitos sociais.
O segundo ponto é uma questão que já está presente em Hélder Câmara e em grande parte dos seguidores da Teologia da Libertação no século XX, ou seja, é o fato de o “que Sato Tomás fez com Aristóteles devemos nós fazer hoje com Marx” ([15]). Clodovis Boff apresenta o princípio da conversão do filósofo. Neste caso, Tomás de Aquino aparece como um arquétipo. Ele converteu a obra de Aristóteles à fé cristã. Seguindo esse exemplo a Teologia da Libertação tem como missão converter à obra de Marx à fé da Igreja. Por este motivo o Aquinate e a TL estão ligados pelo princípio da conversão do filósofo.
O terceiro ponto é a tradição teológica e filosófica da Igreja. Segundo Clodovis Boff ([16]) tanto Tomás de Aquino como a TL estão ligados e inseridos dentro da tradição. Tomás de Aquino, em seus escritos, cita a Patrística, Santo Agostinho e outros pensadores que fundamentam a teologia e a filosofia cristã. Da mesma forma deve proceder a TL. Com isso, a tradição seria um elo de ligação entre o Aquinate e a TL.
O quarto ponto é o fato de Tomás de Aquilo está ligado a TL porque ele enfrentou “em seu tempo as questões sociais e políticas, assim como os teólogos da libertação afrontam as de hoje” ([17]). Clodovis Boff apresenta o Aquinate como, essencialmente, um pensador político, preocupado com as questões sociais do século XIII. Procedimento semelhante é adotado pela Teologia da Libertação. Ela tem como missão, semelhante ao Aquinate, refletir sobre as questões sociais e suas consequências escravizadoras para o homem.
O quinto e último ponto é o fato de tanto Tomás de Aquino como a TL estarem preocupados com a dimensão prática da fé ([18]). Nesse ponto há uma grande confluência entre a argumentação desenvolvida por Clodovis Boff e por Hélder Câmara. Ambos apresentam Tomás de Aquino como um pensador da vida prática. Por este raciocínio ele não seria um metafísico preocupado com questões abstratas. Essa seria uma interpretação equivocada e até mesmo errada que a tradição filosófica ocidental realizou da obra do Aquinate. Na essência o Aquinate seria um pensador da vida prática e política. Um precursor de Karl Marx. Neste sentido, caberia à Teologia da Libertação atualizar o pensamento do Aquinate a partir da “nossa problemática atual” ([19]).
Realizada a apresentação dos cinco pontos convergentes entre Tomás de Aquino e a TL desenvolvidos por Clodovis Boff é preciso, realizar uma pequena crítica ao artigo desse pesquisador. Existem duas questões que necessitam de um melhor esclarecimento no artigo: Santo Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação.
A primeira questão é o fato de Clodovis Boff ([20]) realizar uma aproximação perigosa e até mesmo indevida entre a categoria de povo em Tomás de Aquino e a categoria de proletariado em Karl Marx e, por conseguinte, na Teologia da Libertação.
É preciso ver que no Regime dos Príncipes ([21]) Tomás de Aquino atribui a categoria de povo a todos os grupos e estruturas sociais. Para ele todas as classes sociais estão submetidas ao governante e ao magistério da Igreja. Por conseguinte, o bem comum não é um privilégio de uma classe ou grupo social, mas um direito de todos os homens. Neste sentido a argumentação tomista é essencialmente universal. Ao contrário do Aquinate, a categoria de proletariado em Karl Marx adotada pela Teologia da Libertação ([22]) é classista. Para Marx não é o povo, em sentido amplo, que deverá buscar e alcançar o bem comum, mas unicamente uma fração do povo, ou seja, o proletariado, ou seja, a classe social que vende sua força de trabalho ao empreendedor capitalista. Por essa perspectiva Marx limita o bem comum a uma classe social. Nisto Marx é muito incompleto e classista, enquanto Tomás é universal.
A segunda questão é uma aproximação muito perigosa entre a ideia de pecado em Tomás de Aquino e essa mesma ideia na TL. A noção de pecado no Aquinate ([23]) está ligada ao pecado original descrito no livro do Gênesis (3, 1-20). Por conseguinte é uma noção ontológica e universal. A consequência do pecado original é que todos os homens, em todos os momentos históricos, pecaram (Romanos 3, 23). É por isso que todos necessitam da Salvação trazida por Jesus Cristo. Já para a Teologia da Libertação a noção de pecado é muito resumida. A TL preocupa-se essencialmente com o pecado social ([24]). Toda forma de pecado que exceda ao pecado social é, em certo sentido, desvalorizada. Obviamente, não podemos deixar passar despercebido o pecado social. Essa manifestação do pecado deve ser amplamente denunciada e combatida. Entretanto, se limitar apenas ao pecado social é uma forma de perder a consciência da dimensão universal e malévola do pecado.
Por: Ivanaldo Santos

Fonte: Gonet

DESEJO À VOCÊ


Que… “Chuvas de Bênçãos sejam derramadas abundantemente sobre ti e tua Casa“… Que… a Unção de DEUS seja como um bálsamo a envolver tua vida e te Ungir Completamente pela Glória de DEUS“… Que… “DEUS faça prosperar tudo aquilo que vier até tuas mãos, e que de uma semente cresçam milhares de árvores Frutíferas“… Que… “Todas as Promessas de DEUS sejam uma Coroa de Vitória e Vida para você como Prova da Fidelidade do teu DEUS, acerca de tudo o que Ele Fala e Cumpre“… Que… “Rios de águas Vivas corram dentro de tí, purificando, e levando tudo aquilo o que não é de DEUS“. Que…“A Glória de DEUS repouse sobre sua vida…Amém