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segunda-feira, 22 de maio de 2017

TOMÁS DE AQUINO E A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: IMPOSSIBILIDADES - 03

São Tomas de Aquino
Nesta parte do artigo é apresentada a impossibilidade de haver uma aproximação mais íntima entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. Essa discussão é de suma importância. O motivo é que o Aquinate, como demonstrado anteriormente, é o filósofo que a Igreja recomenda que haja uma atenta leitura e reflexão de sua obra. Do ponto de vista estritamente católico a consequência desse fato é que uma incompatibilidade entre o Aquinate e a TL praticamente inviabiliza a reflexão teológica, de fundamentação marxista, realizada pela própria Teologia da Libertação.
Do ponto de vista estritamente didático serão apresentados cinco argumentos que apresentam a impossibilidade de haver uma grande semelhança entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação. Desde já se afirma que todos os argumentos apresentados são passíveis de questionamentos e objeções de cunho filosófico.
O primeiro argumento é o fato da Teologia da Libertação conscientemente rejeitar as “tradicionais apresentações filosóficas” ([25]). Ao longo de sua história a TL sempre se apresentou como sendo uma novidade filosófica e teológica. Essa novidade teria como fundamento o marxismo. Neste quadro de novidade a TL sempre teve a tendência de rejeitar qualquer forma de manifestação da filosofia que não seja a filosofia contemporânea e especialmente a filosofia de origem marxista.
Por isso, nos círculos de intelectuais e de militantes da TL sempre houve uma rejeição ao passado, especialmente ao medieval. Essa rejeição se estende a Tomás de Aquino e a toda a tradição tomista.
De um lado, a Teologia da Libertação busca a “novidade a todo custo” ([26]), ou seja, deseja, de forma ingênua, encontrar algo absolutamente novo. Nessa ânsia pelo novo ela não olha para o passado em busca das raízes dos debates filosóficos e teológicos travados dentro da Igreja. Essa postura é sintetizada na expressão: “o novo só se entende pelo novo” ([27]), a qual é muito difundida dentro da militância da TL. A consequência dessa busca pelo novo é a rejeição da tradição filosófica católica, incluindo Tomás de Aquino.
Do outro lado, a TL se apresenta como sendo a nova e a real interpretação da Igreja, do evangelho e da sociedade. É como se a Igreja, o evangelho e a sociedade tivessem sido criados em 1969 juntamente com a origem da Teologia da Libertação. É por causa dessa radicalidade que o Cardeal Joseph Ratzinger que no dia 19 de abril de 2005 foi eleito Papa e, com isso, escolheu o nome de Bento XVI – afirma que a Teologia da Libertação “não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente” ([28]). Ela ambiciona o novo radical e absoluto. Tudo deve ser repensado e reinterpretado à luz do marxismo. Nesta perspectiva não há espaço para a tradição filosófica católica, muito menos para Tomás de Aquino.
O segundo argumento é a dimensão da realidade. Como demonstra Fernando Arruda Campos ([29]) o marxismo – que fundamenta a TL – tem uma visão limitada da realidade. Para o marxismo a realidade limita-se apenas as relações sociais produzidas pelas mudanças históricas e econômicas. Sem dúvida que é importante refletir e até mesmo transformar a realidade social. No entanto, ficar peso a realidade puramente social causa a alienação social e o empobrecimento da filosofia e da teologia. Enquanto isso Tomás de Aquino e, por conseguinte, o tomismo encaram a realidade também na dimensão das mudanças históricas e econômicas, entretanto vão além dessas mudanças. Tomás de Aquino eleva-se até o transcendente, ao eterno e ao divino. O marxismo fica limitado ao mundo material, enquanto o tomismo alça voos mais altos em busca da superação dos limites impostos pela vida material.
Para ilustrar a discussão serão apresentados dois exemplos da visão da realidade entre Tomás de Aquino e no marxismo.
O primeiro exemplo é a problemática em torno de Deus ([30]). O marxismo realiza uma salutar crítica à religião. É preciso demonstrar os limites e até mesmo os erros históricos da religião. Entretanto, o marxismo termina caindo em um materialismo radical e ingênuo, o qual nega a existência de Deus e veta qualquer acesso do cidadão a divindade ([31]). Neste sentido, o marxismo termina caindo em uma ditadura materialista que supervaloriza o mundo social e proíbe o acesso à vida espiritual. Talvez esteja neste ponto a origem do apoio que a Teologia da Libertação dá a governos e a estruturas sociais autoritárias ([32]), como, por exemplo, o socialismo.
O segundo exemplo é a morte. O marxismo vê a morte biológica como o fim da vida ([33]). Ao contrário de Tomas de Aquino, o marxismo não crê na vida eterna e na ressurreição. Para ele a ressurreição limita-se apenas à revolução socialista e a uma mudança na estrutura social. Já Tomás de Aquino compreende a morte como parte do grande projeto transformador que Deus tem para o ser humano.
É justamente pela visão estreita e, muitas vezes, ingênua do marxismo que o tomismo sempre criticou essa escola de pensamento e, por conseguinte, criticou também a Teologia da Libertação que faz uso do “instrumental marxista” ([34]) para a realização da sua reflexão teológica. O marxismo termina sendo apenas mais uma corrente dentro do materialismo. Um materialismo que nega ao homem o direito de ter um encontro com a transcendência e, por conseguinte, uma experiência mística e salvadora. É por causa disso que Leonardo Van Acker afirma que uma das missões do tomismo na sociedade moderna e contemporânea é o “combate ao marxismo” ([35]). Além disso, um dos fatores, entre outros, que determinou o nascimento do neotomismo, no final do século XIX, foi a necessidade de realizar uma “crítica ao materialismo” ([36]), seja esse materialismo oriundo do positivismo ou do marxismo. Infelizmente na segunda metade do século XX houve um esmorecimento, por parte do tomismo, no tocante à denúncia e à crítica aos erros e limitações do marxismo. Talvez a primeira década do século XXI marque um retorno da denúncia e da crítica ao marxismo realizadas pelo tomismo.
O terceiro argumento é o fato da Teologia da Libertação, pelo fato de ser fundamentada pelo marxismo, não possuir uma filosofia que abarque os diversos problemas e dilemas humanos. Como bem salienta Leonardo Van Acker ([37]) o marxismo, em grande medida, é apenas uma ideologia política. Por isso, ele realiza uma necessária crítica ao caráter desumano do capitalismo e da sociedade moderna. Entretanto, qualquer questão que extrapole o nível do material e do político é rejeitada pelo marxismo. Neste sentido, o marxismo e, por conseguinte, a Teologia da Libertação, é uma filosofia material que deseja dar ao ser humano apenas o pão material. Em contra partida, Tomás de Aquino realiza uma reflexão sobre as desigualdades materiais, mas vai além dessa reflexão. Em sua filosofia estão contemplados todos os grandes temas que angustiam o ser humano, como, por exemplo, Deus, a alma, a vida eterna e outros. Enquanto o marxismo e a TL construíram uma filosofia precária e limitada, Tomás de Aquino edificou uma filosofia ampla que abrange os grandes problemas materiais e metafísicos do homem.
O quarto argumento é o que Alexandre Correia classifica como a “incompatibilidade entre o tomismo e o marxismo” ([38]). E levando em conta que o marxismo, como visto ao longo do artigo, é a filosofia que fundamenta a Teologia da Libertação essa incompatibilidade pode ser acrescida também a TL.
Alexandre Correia identifica essa incompatibilidade em três grandes questões.
A primeira questão é a lei natural ([39]). De acordo com Alexandre Correia ([40]) a lei natural é a participação humana na lei eterna criada por Deus. O problema é que o marxismo e, por conseguinte, a Teologia da libertação, não seguem a lei natural. Ambos, marxismo e TL, desejam criar e até mesmo impor uma lei puramente racional e material. Uma lei que termina renegando a lei de Deus, a qual deve governar a Igreja e todo o cosmo. Enquanto Tomás de Aquino é um teórico e um seguidor da lei natural, o marxismo e a TL terminam negando essa lei.
A segunda questão é a propriedade privada ([41]). Alexandre Correia ([42]) demonstra como o Aquinate não é o pensador conservador e defensor do latifúndio improdutivo da forma como ao longo do século XX foi denunciado pelos pensadores marxistas e pela militância da Teologia da Libertação. Pelo contrário, o Aquinate é um defensor da função social da propriedade. Além disso, ele atribui à propriedade uma função ética relacionada diretamente ao bem comum ([43]). Ela está inserida dentro do plano salvífico que Deus traçou para o homem. Entretanto, o marxismo e a Teologia da Libertação pensam de forma diferente. Para eles a propriedade privada deve ser extinta, porque está inserida dentro do projeto egoísta e egocêntrico do capitalismo. Não podemos negar o caráter egoísta do capitalismo, mas também não podemos aceitar a proposta do marxismo e da TL. O que ambos desejam é acabar com a propriedade privada, um dom de Deus ao homem, e em seu lugar colocar o “coletivismo socialista” ([44]), onde não haverá mais liberdade individual e apenas o Estado será o detentor de todas as terras e de todos os direitos. No tocante à propriedade, há uma gigantesca incompatibilidade entre Tomas de Aquino e a Teologia da Libertação.
A terceira questão é a família, a qual foi instituída pelo próprio Deus e resguardada pelo evangelho, pela tradição e pelo magistério da Igreja. A família possui um papel fundamental na sociedade contemporânea. Ela é um depósito da vida e pode conduzir o cidadão a refletir sobre a grave crise ética que a sociedade ocidental vive atualmente ([45]).
Além disso, Alexandre Correia ([46]) demonstra que o Aquinate é um árduo defensor da família. Em suas reflexões a família, ou seja, a Igreja doméstica, encontra sólida fundamentação filosófica. Ao contrário, tanto o marxismo como a TL veem a família como um subproduto da ideologia capitalista e burguesa. Para ambos a família não é de origem divina e, por conseguinte, pode ser extinta. No lugar da família surgirá a grande família, ou seja, grandes aglomerados humanos controlados pelo partido socialista ou por outra estrutura política ligada ao marxismo. Exemplos da grande família são o sindicado e o movimento social. Em ambos já não existe mais a estrutura tradicional familiar, mas uma rígida hierarquia que tem por função atingir os objetivos políticos do marxismo internacional e nacional. No tocante a família há uma forte divergência entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação.
O quinto e último argumento é o polêmico artigo escrito por Clodovis Boff ([47]), cujo título é: Teologia da Libertação e a volta aos fundamentos ([48]). Neste artigo um dos fundadores da Teologia da Libertação, ou seja, Clodovis Boff, defende a tese que a TL sofre de uma grave ambiguidade epistemológica e, que por causa disso, há um sério equívoco epistemológico em seu fundamento. Este equívoco é o fato da TL colocar o pobre no lugar de Cristo e, por conseguinte, ao invés de haver adoração ao Cristo Salvador passa a existir uma idolatria ao pobre. Para sanar esse duplo sentido, o teólogo propõe uma refundação da Teologia da Libertação. Essa refundação deve se dar no plano cristocêntrico, ou seja, Cristo como centro e guia da atividade pastoral da TL.  Desta forma, o pobre não será mais idolatrado, contudo passará a ocupar o seu real papel dentro da atividade pastoral e da missão salvífica da Igreja.
Além disso, Clodovis Boff afirma que as consequências da TL ter colocado o pobre no lugar de Cristo são gravíssimas. Com essa postura a TL está conduzindo a Igreja, pelo menos na América Latina, a se transformar em uma Organização Não-Governamental (ONG), a abandonar a missão de evangelizar os povos e, por conseguinte, desamparar os fiéis no tocante à assistência espiritual. Poucos teóricos fizeram uma crítica tão realista e consciente à TL como fez Clodovis Boff.
A reação dentro da Teologia da Libertação foi imediata e organizada. Os líderes e a militância da TL temiam que o artigo de Clodovis Boff fosse utilizado pelo Vaticano para condenar novamente a Teologia da Libertação da forma como aconteceu em 1984 com a publicação do documento Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”. Por esse motivo em pouco tempo surgiu uma série de artigos em jornais e revista científicas defendendo a Teologia da Libertação e acusando Clodovis Boff de ser um teólogo que passou para o outro lado, ou seja, passou a realizar as críticas que eram realizadas apenas pelos opositores da TL.
A presente discussão não trata do conteúdo crítico do artigo de Clodovis Boff e muito menos da violenta reação da Teologia da Libertação contra o mesmo. No entanto, nessa polêmica há um dos maiores fatores que demonstram a incompatibilidade entre Tomás de Aquino e a Teologia da libertação. Clodovis Boff foi duramente acusado, por líderes da TL, de ter desenvolvido, no citado artigo, uma argumentação de cunho tomista, presa à Idade Média e, portanto, superada. Teólogos como, por exemplo, Leonardo Boff ([49]), José Comblin ([50]), Francisco de Aquino Júnior ([51]), Luiz Carlos Susin e Érico João Hammes ([52]), acusaram Clodovis Boff de ser um tomista. O problema é que os citados teólogos são genuínos líderes e representantes da Teologia da Libertação. Esses teólogos deixaram claro que entre Tomás de Aquino e a Teologia da Libertação há uma grande incompatibilidade, um grande fosso epistemológico que não pode ser superado apesar de haver entre ambos alguns pontos comuns. E levando em conta que Tomás de Aquino é o filósofo oficial da Igreja, esse fosso, essa separação, se estende à totalidade da Igreja e à Teologia da Libertação. Criando, com isso, uma separação: de um lado está a Igreja e a tradição filosófica, especialmente a tradição tomista, e do outro lado encontra-se a Teologia da Libertação e a tradição marxista.
Por: Ivanaldo Santos
Fonte: Gonet

DESEJO À VOCÊ


Que… “Chuvas de Bênçãos sejam derramadas abundantemente sobre ti e tua Casa“… Que… a Unção de DEUS seja como um bálsamo a envolver tua vida e te Ungir Completamente pela Glória de DEUS“… Que… “DEUS faça prosperar tudo aquilo que vier até tuas mãos, e que de uma semente cresçam milhares de árvores Frutíferas“… Que… “Todas as Promessas de DEUS sejam uma Coroa de Vitória e Vida para você como Prova da Fidelidade do teu DEUS, acerca de tudo o que Ele Fala e Cumpre“… Que… “Rios de águas Vivas corram dentro de tí, purificando, e levando tudo aquilo o que não é de DEUS“. Que…“A Glória de DEUS repouse sobre sua vida…Amém